quarta-feira, 28 de setembro de 2016

NO - Crítica do filme

Por Luiz Zanin
"Larraín dribla o que poderia ser o monótono relato de bastidor de uma votação. Faz um filme trepidante, cheio de emoção e paixão – nunca deixando de lado o raciocínio e a reflexão política que são esteios fortes do seu cinema."

Depois de 15 anos à frente de uma ditadura sangrenta, Augusto Pinochet resolveu submeter-se a um referendo popular para lhe garantir mais oito anos no poder. Pinochet lá estava desde setembro de 1973, quando derrubou o governo socialista de Salvador Allende. Como se sabe, plebiscitos e referendos, feitos sob ditaduras, costumam ser favoráveis a quem detém os cordões do poder. No Chile a história foi outra. É desse fato verídico que trata, sob forma ficcional, este excelente No, de Pablo Larraín.
O filme teve carreira vencedora antes de estrear comercialmente. Ganhou a Quinzena dos Realizadores, em Cannes, faturou o prêmio de público da Mostra de São Paulo e é um dos nove finalistas que disputam as cinco vagas ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Está com tudo.
Vendo-o, compreende-se por quê. Larraín dribla o que poderia ser o monótono relato de bastidor de uma votação. Faz um filme trepidante, cheio de emoção e paixão – nunca deixando de lado o raciocínio e a reflexão política que são esteios fortes do seu cinema. No é o fecho de uma trilogia informal da experiência traumática do
Chile sob o regime militar de Pinochet, que começara com Tony Manero e Post Mortem.

Esse ânimo do filme vem muito da maneira como ele é dirigido, de forma rápida e direta, com um sentido de urgência de todo adequado à época em que os fatos aconteceram, em 1988, com pressão crescente pela redemocratização. Em um filme histórico, captar o momento é tudo. Mas essa energia vem também do ator mexicano Gael García Bernal, que interpreta com fôlego o publicitário René Saavedra, contratado para dirigir a campanha do Não. Fundamental também é o registro em U-Matic, suporte de vídeo utilizado na época pelos telejornais. Dá a impressão de que vemos a História (com agá maiúsculo) sendo desdobrada à nossa frente.
René assume a campanha num momento em que tudo os que os opositores a Pinochet queriam era marcar posição. Não tinham a menor esperança de vencer e havia quem nem quisesse participar para não emprestar credibilidade a um jogo de cartas marcadas. A diferença, com a entrada de René, é que posturas negativistas, ou apenas românticas, são descartadas em favor de um realismo militante. Ao invés do chororô ou da nostalgia, entra uma atitude assertiva, de quem está olhando para o futuro com confiança.
Em suma, René vendia o Não como quem vende um bom produto. Aproveita a estreita margem de manobra concedida pela ditadura para manter a aparência de pleito democrático e consegue jogar no espaço pequeno que lhe é concedido. Com sua energia e bom humor, parece porta-voz de uma visão de mundo francamente republicana. Combate uma ditadura e mostra que, para vencer, às vezes é preciso isolar certo fanatismo fundamentalista de quem tem razão.
No é o tipo de filme que não perde nunca seu suspense, mesmo que o desfecho seja amplamente conhecido. Revisita uma página importante da história chilena e latino-americana, e o faz em ritmo de thriller político como havia muito não se assistia.

* o conteúdo original é do Jornal Estado de São Paulo
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O filme estará em cartaz a partir de amanhã no cine Com-Tour
Serviço
Cine Com- Tour (Avenida Tiradentes, 1241 - Londrina)
Do dia 29/09 até o dia 12/10
Sessões: às 16h e às 20h30min
Ingressos: R$12 e R$ 6 (meia)

'No' traz o assunto ditadura para as telas do Cine Com-Tour

O filme de origem chilena entra em cartaz amanhã



SINOPSE E DETALHES

Chile, 1988. Pressionado pela comunidade internacional, o ditador Augusto Pinochet aceita realizar um plebiscito nacional para definir sua continuidade ou não no poder. Acreditando que esta seja uma oportunidade única de pôr fim à ditadura, os líderes do governo resolvem contratar René Saavedra (Gael García Bernal) para coordenar a campanha contra a manutenção de Pinochet. Com poucos recursos e sob a constante observação dos agentes do governo, Saavedra consegue criar uma campanha consistente que ajuda o país a se ver livre da opressão governamental.


Data de lançamento: 28 de dezembro de 2012 (1h 57min)
Direção: Pablo Larraín
Elenco: Gael García BernalAntonia ZegersAlfredo Castro mais
Gêneros HistóricoDrama
Nacionalidades ChileEua

Serviço


Cine Com- Tour (Avenida Tiradentes, 1241 - Londrina)
Do dia 29/09 até o dia 12/10
Sessões: às 16h e às 20h30min

Ingressos: R$12 e R$ 6 (meia)

terça-feira, 20 de setembro de 2016

VI Concerto da Temporada Ouro Verde será nesse domingo

No último domingo do mês a Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (OSUEL) promove o Concerto da Temporada Ouro Verde 


   Neste domingo, dia 25, a OSUEL realizará no Cine Com-Tour/UEL, sob a regência do Maestro Alessandro Sangiorgi, o 6ºConcerto da Temporada Ouro Verde 2016.
   O concerto, que inicia às 10h30, contará com a Abertura em Si bemol Maior do compositor Franz Schubert, escrita há exatos 200 anos como abertura para a Cantata D. 472. A segunda obra do programa será a inusitada Sinfonia nº 45 de Haydn, que nos dias atuais é também intitulada de "Sinfonia da       Despedida". Haydn compôs esta sinfonia com o intuito de ajudar os músicos que estavam à disposição do Príncipe Esterházy na temporada de verão de 1772 a realizar uma espécie de protesto. Os músicos estavam trabalhando há meses no Castelo da Hungria e desejavam voltar aos seus familiares em Viena. Inusitada, pois os músicos simplesmente deixam o palco durante o transcorrer da obra.
   Na sequência, o programa prossegue com obras do século XX, onde a seção de cordas da OSUEL executará a famosa Ária da "Bachianas Brasileiras" nº 5 de Villa-Lobos (inspirada nas serestas e originalmente escrita para soprano e orquestra de violoncelos em 1938) e também a obra "Simple Symphony" do compositor britânico Benjamin Britten.
  
Serviço:
Concerto da Orquestra Sinfônica da UEL - Temporada Ouro Verde
Dia 25/09, domingo
Horário: 10h30min
Local: Cine Com-Tour/UEL
Entrada Gratuita

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Divisão de Artes Cênicas oferece curso sobre iluminação, som e cenografia

O curso é uma ótima forma de aperfeiçoar os alunos do curso de Artes Cênicas da UEL



A Divisão de Artes Cênicas da Casa de Cultura abre inscrições para o Curso preparatório para técnica em luz, som e cenografia. O curso será ministrado por Borracha Souza e dividido em quatro módulos com duração de 12 meses. As aulas serão nas segundas-feiras das 19h às 22h, na Divisão de Artes Cênicas da Casa de Cultura.
No primeiro módulo o tema será espaço cênico e arquitetura; no segundo módulo, desenho técnico, semiótica e eletricidade básica; no terceiro o estudo se voltará para iluminação e som; e por fim, no quarto módulo, serão estudados a logística e a produção técnica.
O inicio do curso está previsto para o dia 3 de outubro e o custo mensal será de R$50,00. Para mais informações os interessados podem enviar e-mail para tecnicaoficina16@gmail.com.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Crítica do filme "Laurence Anyways"

por Luiz Santiago


Das coisas que estigmatizaram Xavier Dolan, é possível dizer que o uso exagerado de elementos da direção de arte, uso de câmera despreocupado e certa irresponsabilidade ao trabalhar os elementos narrativos de seus roteiros são os itens mais lembrados. O jovem diretor canadense estreou nos cinemas em 2009, com Eu Matei a Minha Mãe, filme vencedor de prêmios no Festival de Cannes, Toronto, Vancouver, dentre outros. Em seguida veio Amores Imaginários (2010), filme fraco, que também chamou a atenção da crítica, mas já dava algumas alcunhas pouco louváveis a Dolan, especialmente por sua tendência de condução pueril de cenas, uma denominação afirmada por uns e refutada por outros.
Como que almejando guinar a sua percepção artística e aprimorar seu estilo, Xavier Dolan decidiu aumentar o tempo de produção entre um filme e outro e, dois anos depois de Amores Imaginários apareceu ele com Laurence Anyways (2012), um filme que conserva muito pouco daquele diretor iniciante e despreocupado e mostra a cara nova de um tema praticamente novo em sua carreira, uma verdadeira metamorfose.
Acumulando algumas tarefas na equipe de produção (além de roteiro e direção), Dolan nos conta a história do professor Laurence Alia, um profissional de sucesso de quem acompanhamos uma década de vida, tempo suficiente para o aflorar definitivo de sua transsexualidade e da estranheza com que o mundo recebe essa atitude. Considerado doente, Alia é convidado a se afastar de seu cargo na Universidade e passa a lutar para conseguir um lugar ao sol como escritor. O problema é ainda mais complexo porque sua  orientação sexual é hetero, o que adiciona uma profunda dose de questionamentos e aberturas para discussão diversas ao roteiro.
Ao passo que essa transformação acontece, vemos um amadurecimento (ou seria o aparecimento da amargura?) de Alia e sua namorada Fred Belair. O casal é inicialmente mostrado como uma dupla de adolescentes crescidos que vivem uma espécie de conto de fadas particular, uma relação cheia de jogos amorosos, todos eles filmados com um estilo levemente distinto, com câmera inquieta, sob ângulos oblíquos e músicas icônicas de Kim Carnes, The Cure, Celine Dion, Duran Duran, Brahms, Beethoven e Vivaldi. No mote realista de que “toda mudança traz consequências“, Dolan deixa claro que não se trata de uma simples mudança, mas de uma revolução completa, o que intensifica ainda mais os novos rumos dados às vidas dos protagonistas.
É claro que alguns maneirismos aparecem e eu devo dizer que durante a projeção fiquei profundamente incomodado com algumas opções narrativas e mesmo temáticas do diretor, mas a despeito das partes menos inspiradas e do estilo às vezes barroco demais, percebo uma unidade temática e estética tão grande no filme que é impossível classificá-lo como algo menor do que muito bom. O desfecho, que para alguns pareceu explicativo e desnecessário, adiciona um ponto narrativo fixo e emotivo à história, ligando os pontos, demarcando um ciclo. O mesmo acontece para o uso das incríveis metáforas visuais temáticas ou literárias, além das frequentes tiradas inteligentes como a do garotinho sendo atingido pelo Cupido e a piscadela do protagonista, algo que marca a sua personalidade intacta, a despeito de seu exterior diferente.
Laurence Anyways aponta um caminho distinto para a carreira de Xavier Dolan e mostra que o jovem começa a ganhar maturidade. Poderíamos passar linhas e linhas falando das nuances fotográficas, da simbólica direção de arte e inspirados figurinos; mas esses elementos já são bastante conhecidos dos outros filmes do diretor e, no caso desta nova obra, pouco adianta a exploração textual de tais elementos, uma vez que pouco sentido faria. É preciso assistir ao filme para poder senti-las, ouvi-las e entendê-las em sua completude. Laurence Anyways é um daqueles exemplos de filmes-sentimento, obras que conseguem captar a alma ou a aura de um determinado grupo de pessoas ou de algum lugar. É claro que a marcação de “ame ou odeie” ao filme é imediata, mas tanto para um quanto para outro caso, haverá muitos e bons motivos que justifique a escolha final.
Laurence Anyways (Canadá, França, 2012)
Direção:
 Xavier Dolan
Roteiro: Xavier Dolan
Elenco: Melvil Poupaud, Emmanuel Schwartz, Suzanne Clément, Nathalie Baye, Monia Chokri, Susan Almgren, Yves Jacques, Sophie Faucher, Magalie Lépine Blondeau, Catherine Bégin
Duração: 168 min.
SERVIÇO
Cine Com- Tour (Avenida Tiradentes, 1241 - Londrina)
Sessões: às 16h e às 20h30min
Ingressos: R$12 e R$ 6 (meia)

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Cine Com-Tour traz discussão de gênero nas próximas sessões com o filme “Laurence Anyways”

A Casa de Cultura e Divisão de Cinema e Vídeo da Universidade Estadual de Londrina exibem a partir de amanhã “Laurence Anyways”. O filme ficará em exibição do dia 15 de Setembro até o dia 28.

SINOPSE E DETALHES
Laurence (Melvil Poupaud) é um homem que deseja se tornar uma mulher. Em seu aniversário de 30 anos, ele revela para sua namorada Fred (Suzanne Clément) que irá fazer uma cirurgia de mudança de sexo. Mesmo abalada com a revelação, a namorada resolve permanecer ao lado da pessoa que ama, que sofrerá bastante com a nova situação, tendo que lidar com preconceitos de familiares, amigos e colegas de trabalho. Contra tudo, eles tentarão provar que o amor deles pode superar todas as situações.
Serviço
Cine Com- Tour (Avenida Tiradentes, 1241 - Londrina)
Sessões: às 16h e às 20h30min
Ingressos: R$12 e R$ 6 (meia)

Coral H.U. em Canto é convidado para Encontro em Natal (RN)

O Encontro é um dos mais tradicionais do país e será realizado mês que vem

Coral H.U. em Canto

Coral H.U em Canto está entre os grupos vocais brasileiros convidados para participar do 22º Encontro Nacional de Coros de Natal (ENCONAT) no Rio Grande do Norte. O convite chegou, no mês de julho, através da Divisão de Música da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina (UEL), na qual o Coro está vinculado.
O Coral H.U em Canto do Hospital Universitário da UEL foi criado em junho de 1999, em parceria com a Casa da Cultura. Tem como objetivos aliviar o estresse de seus participantes, promovendo a integração, por meio do desenvolvimento musical, artístico e cultural, e ainda contribui para a humanização, inserindo a música no ambiente hospitalar proporcionando bem estar aos pacientes e equipe de saúde. Com suas atividades paralisadas desde 2010, o Coral foi reestruturado em agosto de 2015 e atualmente conta 25 cantores, todos servidores do Hospital Universitário. O grupo desenvolve um repertório baseado na música brasileira e se apresenta regularmente nas dependências do hospital, seguindo um cronograma mensal.
Tendo como regente o Instrumentista musical Edvaldo Sousa, o grupo desde então se prepara para bem representar a UEL em terras potiguares.
O ENCONAT para o qual o H.U em Canto foi convidado, acontecerá de 14 a 19 de novembro no teatro do Centro Municipal de Referência em Educação (CEMURE) e em espaços alternativos da cidade. Organizado pela Secretaria de Educação da Prefeitura da Cidade de Natal, é um dos Encontros de Corais mais tradicionais do Brasil.